• By Sharon Theimer

Os casos relatados de miocardite em homens jovens após a vacinação contra a COVID-19 são raros e a vacinação ainda é muito importante

7 julho 2021
Jovem negro recebendo vacina de uma profissional de saúde

ROCHESTER, Minnesota - Pesquisadores da Mayo Clinic estão examinando de perto os casos raros de inflamação do músculo cardíaco, ou miocardite, em homens jovens que desenvolveram sintomas logo após receberem a segunda dose da vacina de RNA mensageiro (mRNA) contra a COVID-19 dos laboratórios Moderna ou Pfizer. Vários estudos recentes sugerem que os profissionais de saúde devem estar atentos à miocardite de hipersensibilidade como uma reação adversa rara das vacinas contra a COVID-19. No entanto, os pesquisadores enfatizam que esse novo fato não deve diminuir a confiança geral na vacinação durante a atual pandemia.

Embora os relatos de miocardite pós-vacina em algumas áreas sejam mais elevados do que o valor basal, o risco iminente e de maior dano cardíaco e morte continua sendo o da infecção por COVID-19. Até 60 por cento dos pacientes graves com COVID-19 apresentam lesões no coração, e quase 1 por cento dos atletas em boa forma que tiveram uma infecção leve por COVID-19 mostram miocardite em uma imagem de ressonância magnética (MRI).

Uma série de estudos retrospectivos publicados na revista científica JAMA Cardiology estudou 23 homens nas forças armadas dos EUA que foram hospitalizados com sintomas de miocardite no período de quatro dias após receberem a segunda dose de uma vacina de RNA mensageiro contra a COVID-19. Três dos pacientes já haviam sido infectados com a COVID-19 e seus sintomas começaram após a primeira dose da vacina. Os casos ocorreram entre janeiro e abril. Dezesseis receberam a vacina da Moderna e sete receberam a vacina da Pfizer. Contextualizando, é importante observar que as forças armadas aplicaram mais de 2,8 milhões de doses de vacinas de RNA mensageiro contra a COVID-19 nesse período.

Todos os 23 pacientes militares tinham sintomas de dor torácica intensa e níveis significativamente elevados de troponina cardíaca, que é um marcador de proteína usado para medir danos cardíacos. Cada um dos pacientes se recuperou rapidamente, o que, combinado com o momento e os sintomas, confirma o diagnóstico de miocardite de hipersensibilidade. Esse tipo incomum de miocardite geralmente está relacionado a uma alergia a medicamentos, mas já foi alvo de pesquisas relacionadas com a vacina contra a varíola.

“A miocardite de hipersensibilidade após a vacinação é algo raro, exceto pela vacina contra a varíola. O risco de miocardite após receber a vacina de mRNA é muito menor do que o risco de miocardite após a infecção real por COVID-19”, diz o Dr. Leslie Cooper., diretor do Departamento de Cardiologia da Mayo Clinic na Flórida. Dr. Cooper é o autor sênior do estudo, que foi realizado em alguns dos Centros Médicos das Forças Armadas dos EUA.

Outro estudo de caso observacional registrou detalhes de oito homens com idades entre 21 e 56 anos que foram hospitalizados com dor no peito e diagnosticados com miocardite por meio de exames laboratoriais e de ressonância magnética cardíaca. Os pacientes desenvolveram sintomas, começando com febre, no período de dois a quatro dias após receberem a segunda dose da vacina contra a COVID-19. Um deles havia se recuperado anteriormente de COVID-19 e apresentou sintomas após a primeira dose. Todos os oito pacientes do estudo se recuperaram dos efeitos da miocardite e não apresentavam mais dores no peito. As descobertas, com coautoria do Dr. Cooper e pesquisadores da Mayo Clinic e outras instituições médicas nos EUA e na Itália, foram publicadas na revista científica Circulation.

“Pessoas de todas as idades devem tomar a vacina contra COVID-19 porque os riscos são extremamente baixos em comparação com os benefícios. Além disso, o crescente corpo de pesquisas mostra que a miocardite associada à vacina se resolve rapidamente em quase todos os casos”, diz o Dr. Cooper.

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Jornalistas: um trecho com qualidade de transmissão está disponível em inglês nos downloads ao final da postagem na Rede de Notícias da Mayo Clinic. Lembrem-se de incluir: Cortesia da “Rede de Notícias da Mayo Clinic.”

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