• By Sharon Theimer

Identificação dos melhores candidatos com necrose avascular como alternativa regenerativa para a artroplastia de quadril

8 fevereiro 2022
imagem da cirurgia de descompressão do quadril

Uma alternativa regenerativa para a artroplastia total de quadril adiou a necessidade de implantes artificiais em pelo menos sete anos para 35 por cento dos pacientes que foram operados para tratar necrose avascular. A condição ocorre quando o fluxo sanguíneo para a articulação do quadril (conhecida como cabeça femoral) é comprimida, causando a morte das células ósseas. Esta pesquisa da Mayo Clinic, publicada na revista médica Bone & Joint Open, também descobriu que o tamanho da lesão necrótica e a terapia contínua com corticosteroides afetam a viabilidade a longo prazo da cirurgia de descompressão do quadril para aliviar a necrose avascular do quadril.

A necrose avascular também pode ser um efeito colateral raro do uso intenso de esteroides como parte de algum tratamento de quimioterapia. Se não forem tratadas, as fraturas minúsculas da necrose avascular pioram e, às vezes, a articulação pode entrar em colapso. Sem a cirurgia de descompressão do quadril, 90 por centro dos pacientes com necrose avascular precisam de uma artroplastia total de quadril.

“Salvar um quadril, mesmo por sete anos, é importante, pois isso adia a necessidade de uma artroplastia total de quadril”, afirma Rafael Sierra, M.D., cirurgião ortopedista da Mayo Clinic e autor sênior do estudo. “Muitos pacientes com necrose avascular têm menos de 50 anos. Ao adiar ou oferecer uma alternativa para a artroplastia total de quadril, podemos ser capazes de evitar a necessidade de uma segunda ou terceira artroplastia de quadril ao longo da vida dos pacientes.”

Um grande mistério da ortopedia

A necrose avascular do quadril tem sido chamada de um dos grandes mistérios da ortopedia. A partir do momento que as células começam a morrer, nada pode parar a deterioração, a menos que seja detectado precocemente ou que haja uma intervenção para tentar restabelecer o fluxo sanguíneo.

A Mayo Clinic oferece a cirurgia de descompressão do quadril há mais de 15 anos. O procedimento regenerativo aproveita a capacidade do corpo de curar as células ósseas em decomposição. Um pequeno orifício é feito na parte externa do osso com a finalidade de acessar a cabeça femoral e liberar a pressão visando a melhora do fluxo sanguíneo para o osso deteriorado. Então, uma bioterapia regenerativa é injetada na articulação do quadril para desencadear a cura. A bioterapia consiste nas células mononucleares do paciente produzidas a partir de células-tronco mesenquimais (adultas) derivadas da medula óssea. As células mononucleares desempenham um papel fundamental na reparação celular.

A medicina regenerativa procura restaurar a forma e a função por meio do reparo, substituição ou restauração de células, tecidos ou órgãos doentes. É uma mudança fundamental na perspectiva do combate a doenças para reconstruir a saúde. O Centro de Medicina Regenerativa da Mayo Clinic está na vanguarda desse movimento e oferece apoio à pesquisa do Dr. Sierra como parte de seu objetivo de trazer novas curas para a prática.

A pesquisa

Em um estudo prospectivo, o Dr. Sierra e sua equipe acompanharam 22 pacientes com necrose avascular do quadril que foram tratados com cirurgia de descompressão do quadril. Eles foram avaliados entre cinco e sete anos após a cirurgia. Em sete anos, 33 por centro haviam progredido da artroplastia total de quadril para artrite ou agravamento da necrose. No entanto, a cirurgia de descompressão do quadril pausou a decomposição das células ósseas em dois terços, e não houve a necessidade de cirurgia adicional.

A equipe de pesquisa documentou que o uso de corticosteroides e o tamanho da lesão óssea antes da cirurgia eram fatores de risco que aceleravam a necessidade de uma artroplastia total de quadril.

“Descobrimos que os pacientes que estavam tomando esteroides tinham um risco quatro vezes maior de progressão do que os pacientes que não estavam tomando esteroides no momento da cirurgia”, afirma o Dr. Sierra. “Os pacientes que tinham áreas maiores de deterioração articular na cabeça femoral tiveram uma sobrevida de cerca de 40 por centro em sete anos, em comparação com cerca de 72 por centro em sete anos para os pacientes que tinham lesões menores. Se considerarmos o grupo como um todo, aproximadamente 10 por cento dos pacientes por ano que foram submetidos à cirurgia de descompressão do quadril precisarão fazer uma artroplastia total de quadril.”

A pesquisa identifica como candidatos ideais para a cirurgia de descompressão do quadril os pacientes que estão no estágio inicial de necrose avascular e os que não estão em terapia com corticosteroides. O Dr. Sierra ainda recomendaria a cirurgia para todos os pacientes, inclusive aqueles com fatores de risco mais elevados.

“A cirurgia de descompressão do quadril é um procedimento tão pequeno com uma recuperação tão rápida que não há realmente nenhuma desvantagem. Não é como se fizermos a descompressão do quadril, não seremos capazes de fazer uma artroplastia total do quadril”, afirma o Dr. Sierra. “Os pacientes podem passar pelo procedimento e adiar a artroplastia do quadril por alguns anos, ou talvez ficar dentro dos 70 por cento que fazem isso sete anos antes de precisar de uma artroplastia total de quadril. E se for esse o caso, então isso é um grande benefício para os pacientes.”

O Dr. Sierra já realizou 300 cirurgias de descompressão do quadril, permitindo aos pacientes adiar ou até mesmo evitar uma cirurgia de artroplastia total de quadril. Embora o Dr. Sierra também realize artroplastias totais de quadril quando necessário, ele diz que é de maior interesse para o paciente adiar ou mesmo evitar a cirurgia.

“Com o passar dos anos, aprendemos cada vez mais e podemos refinar a cirurgia de artroplastia total de quadril. Quem sabe quais tipos de avanços surgirão para os pacientes que podem esperar dois, três ou mais anos para fazer a cirurgia”, acrescenta o Dr. Sierra.

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Jornalistas: o Dr. Sierra está disponível para entrevistas em espanhol e inglês. Para entrevistar um especialista da Mayo Clinic, entre em contato com a área de Relações Institucionais da Mayo Clinic em newsbureau@mayo.edu.

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Susan Buckles, Relações Institucionais da Mayo Clinic, newsbureau@mayo.edu