Pesquisadores da Mayo Clinic desenvolvem modelo IA aplicado ao ECG para diagnosticar doença hepática mais cedo

ROCHESTER, Minnesota — Com o aumento dos índices de obesidade, hipertensão, diabetes tipo 2 e apneia do sono, também cresce o número de casos de doença hepática crônica avançada e de fibrose hepática, ou cirrose. Geralmente, os pacientes só recebem o diagnóstico quando apresentam sintomas como sangramento gastrointestinal, retenção de líquidos ou icterícia, que surgem quando a doença hepática já se encontra em estágio avançado. Esse cenário levou pesquisadores da Mayo Clinic a desenvolverem um modelo de inteligência artificial (IA) que identificou o dobro de casos de doença hepática crônica avançada em pessoas assintomáticas, ajudando médicos a iniciarem o tratamento antes da progressão do quadro.

"A doença hepática crônica é uma condição progressiva, portanto, quanto mais cedo pudermos diagnosticá-la, mais cedo poderemos impedir que ela avance para estágios irreversíveis. A intervenção precoce pode reduzir a probabilidade de que um paciente venha a precisar de um transplante de fígado no futuro", afirma Doug Simonetto, M.D., hepatologista de transplantes da Mayo Clinic e autor principal do estudo publicado na revista Nature Medicine.
Coração e fígado funcionam de forma interligada. A presença de fibrose hepática pode aumentar a pressão na região e impactar o funcionamento cardíaco. Por isso, um exame de batimentos cardíacos chamado eletrocardiograma (ECG) pode registrar alterações nos sinais elétricos do coração associadas à doença hepática avançada. O Dr. Simonetto e colegas desenvolveram um modelo de IA para analisar dados de 11.513 pacientes da Mayo Clinic que realizaram ECGs de rotina. O modelo identificou padrões no ECG ligados à doença hepática avançada e identificou o dobro de pacientes em comparação com os métodos diagnósticos convencionais. Os diagnósticos foram confirmados por exames de imagem ou testes laboratoriais validados.

“Como médico de família, vi inúmeras vezes como a doença hepática avançada — que frequentemente não apresenta sintomas até atingir um estágio irreversível — pode permanecer não detectada”, diz David Rushlow, M.D., médico de família do Sistema de Saúde da Mayo Clinic e coautor da pesquisa. "Muitos dos pacientes identificados pelo modelo IA-ECG não faziam ideia de que viviam com doença hepática avançada. Ao detectar esses casos mais cedo, conseguimos encaminhá-los ao tratamento adequado — num momento em que a intervenção realmente pode fazer diferença. Para esses pacientes, a tecnologia não apenas permitiu chegar ao diagnóstico, mas abriu a oportunidade de melhores desfechos de saúde e, em certos casos, pode até ter salvado vidas."
Este ensaio clínico randomizado contou com a participação de 248 clínicos da Mayo Clinic em Rochester e de diferentes unidades do Sistema de Saúde da Mayo Clinic.
"A ideia de que um exame simples, não invasivo e de baixo custo pudesse ajudar a identificar pacientes com risco de desenvolver doença hepática avançada era extremamente promissora. Este estudo nos permitiu avaliar a IA em um ambiente clínico real, onde o verdadeiro teste da inovação é sua capacidade de melhorar o cuidado aos pacientes na comunidade", afirma o Dr. Rushlow. "Estamos apenas começando a compreender todo o potencial de ferramentas habilitadas por IA como esta e as possibilidades que oferecem para um cuidado preventivo e personalizado."
A etapa seguinte do estudo envolve o acompanhamento, ao longo de dois anos, dos pacientes recém-diagnosticados com doença hepática avançada.
O estudo integra um esforço mais amplo da Mayo Clinic, denominado iniciativa Precure, que busca criar ferramentas capazes de ajudar os médicos a anteciparem e interceptarem processos biológicos antes que se transformem em doenças ou progridam para quadros complexos e difíceis de tratar.
Consulte o estudo para ver a lista completa de autores, declarações e informações sobre financiamento.
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