Novo estudo relaciona variação genética a danos hepáticos causados pela quimioterapia em pacientes com metástases hepáticas de câncer colorretal

ROCHESTER, Minnesota — Um novo estudo internacional liderado por pesquisadores da Mayo Clinic identificou um fator genético que pode explicar por que alguns pacientes com câncer colorretal que se espalhou para o fígado apresentam danos hepáticos mais graves após a quimioterapia.
Para pacientes com metástases hepáticas colorretais, a cirurgia oferece a melhor chance de sobrevivência a longo prazo. Para melhorar os resultados, muitos pacientes recebem quimioterapia antes da cirurgia. Embora essa abordagem possa reduzir os tumores para torná-los mais operáveis, um possível efeito colateral é a lesão hepática. Até o momento, não estava claro por que os fígados de determinados pacientes são mais suscetíveis à lesão hepática associada à quimioterapia.
"Este é o primeiro estudo a mostrar de forma clara que uma predisposição genética desempenha um papel significativo em como o fígado tolera a quimioterapia," afirma o Ph. D. e Dr. Patrick Starlinger, cirurgião hepatobiliar e pancreático no Centro Oncológico Integral da Mayo Clinic e autor sênior do estudo publicado na The Lancet eBioMedicine.
Neste estudo, os pesquisadores analisaram 551 pacientes que haviam recebido quimioterapia seguida de cirurgia para remover o tumor. Eles analisaram exames de saúde do fígado para verificar como a quimioterapia afetava a função hepática e marcadores genéticos que já estavam associados a doenças hepáticas em outros contextos.
Eles descobriram que uma variante específica do gene PNPLA3, conhecida por afetar o metabolismo da gordura no fígado, estava fortemente associada à lesão hepática após a quimioterapia. Pacientes com duas cópias dessa variante eram especialmente vulneráveis, e todos eles desenvolveram sinais de lesão hepática significativa após a quimioterapia.
Diferenças genéticas ajudam a explicar a variação global
Segundo o Dr. Starlinger, a variante PNPLA3 é comum em todo o mundo, mas sua prevalência varia de acordo com a população. No Japão, por exemplo, a mutação está presente em mais de 41% da população. Entre pessoas de descendência peruana, ela é encontrada em mais de 71%, enquanto em algumas populações europeias está presente em menos de 10%.
Como a variação genética é mais comum em determinados grupos, como pessoas de ascendência asiática ou latino-americana, isso pode ajudar a explicar por que estudos anteriores em diferentes países relataram resultados conflitantes sobre os benefícios de administrar quimioterapia antes e/ou depois da cirurgia no tratamento de metástases hepáticas de câncer colorretal.
Personalizando o cuidado para maximizar o benefício e minimizar o risco
As descobertas sugerem que um exame de sangue para verificar a presença da variante PNPLA3, juntamente com o monitoramento da saúde do fígado, pode ajudar os médicos a identificar pacientes com maior risco de sofrer danos hepáticos decorrentes da quimioterapia.
"Essas descobertas nos oferecem uma visão de como podemos ajustar as estratégias de tratamento para gerenciar melhor o cuidado de pacientes diagnosticados com metástases hepáticas colorretais, ao mesmo tempo em que evitamos possivelmente um efeito colateral negativo da quimioterapia," diz o Dr. Starlinger. "A quimioterapia pode ainda ser uma opção de tratamento adequada; com essas informações, podemos personalizar o tratamento para cada paciente — por exemplo, ajustando a quimioterapia ou permitindo mais tempo para que o fígado se recupere antes da cirurgia."
Reveja o estudo para uma lista completa de autores, divulgações e financiamento.
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