• By Sharon Theimer

Os riscos cardiovasculares podem ser piores para as habilidades de raciocínio e memória em mulheres de meia-idade

17 janeiro 2022
una mujer descansando su cabeza en su mano luciendo triste y deprimida pensando en pensamientos negativos

ROCHESTER, Minnesota — Problemas cardíacos como a doença arterial coronariana e fatores de risco cardiovasculares como diabetes e colesterol alto têm maior associação com declínio nas habilidades de memória e raciocínio durante a meia-idade para mulheres do que para homens, mostra um estudo da Mayo Clinic. Isso acontece apesar de uma prevalência maior dessas condições em homens. A pesquisa foi publicada na Neurology, revista médica da Academia Americana de Neurologia.

“É fato conhecido que os homens, em comparação com as mulheres, apresentam maior prevalência de doenças cardiovasculares e fatores de risco na meia-idade. No entanto, nosso estudo sugere que mulheres na meia-idade com essas condições e fatores de risco correm maior risco de declínio cognitivo”, diz a autora sênior Dra. Michelle Mielke (Ph.D.), epidemiologista e neurocientista da Mayo Clinic. “Embora todos os homens e mulheres devam ser tratados para doenças cardiovasculares e fatores de risco na meia-idade, pode ser necessário que as mulheres tenham um monitoramento adicional como um meio potencial de prevenir o declínio cognitivo.”

A pesquisa usou o estudo populacional Mayo Clinic Study of Aging que incluiu 1.857 participantes sem demência, com 50 a 69 anos em sua visita inicial. Dos participantes, 920 eram homens e 937 eram mulheres. A cada 15 meses por três anos, em média, a cognição global dos participantes do estudo foi avaliada com nove testes de memória, linguagem, função executiva e habilidades espaciais.

As informações sobre a condição cardiovascular e os fatores de risco foram obtidas com base no estudo populacional Rochester Epidemiology Project. As condições incluíam doença arterial coronariana, distúrbios do ritmo cardíaco, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial periférica e AVC. Os fatores de risco incluíam pressão arterial alta, diabetes, colesterol alto, tabagismo e obesidade. Cerca de 79 por cento dos participantes, ou 1.465 pessoas, tinham pelo menos um fator ou condição de risco cardiovascular: 83 por cento dos homens, em comparação com 75 por cento das mulheres.

O estudo descobriu que entre as mulheres, a maioria das condições cardiovasculares estava mais fortemente associada à função cognitiva. O declínio cognitivo global anual associado à doença arterial coronariana, por exemplo, foi mais de duas vezes maior para as mulheres do que para os homens.

Além disso, diabetes, colesterol alto e doença arterial coronariana foram associados a um maior declínio de linguagem nas mulheres. No entanto, a insuficiência cardíaca congestiva foi associada a um maior declínio de linguagem nos homens.

É importante entender as diferenças entre os gêneros no desenvolvimento do comprometimento cognitivo para melhorar a saúde de mulheres e homens, diz a Dra. Mielke. Adultos de meia-idade, especialmente mulheres com histórico de doenças cardíacas, podem representar subgrupos críticos para o monitoramento precoce. São necessárias mais pesquisas em outras faixas etárias para examinar os mecanismos potenciais que explicam as diferenças entre os gêneros na relação entre fatores cardiovasculares e cognição, como hormônios, genética, estilo de vida e fatores psicossociais, diz a Dra. Mielke.

Esse estudo foi financiado por subsídios dos National Institutes of Health e da GHR Foundation, e os recursos foram fornecidos pelo Rochester Epidemiology Project, com apoio do National Institute on Aging.

A Dra. Mielke é consultora da Biogen and Brain Protection Co. e faz parte do conselho editorial da Neurology e do Alzheimer's & Dementia Journal.

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