Câncer

Novo tratamento ajuda a reduzir ondas de calor em terapia para câncer de próstata

ROCHESTER, Minnesota — Um medicamento amplamente utilizado no tratamento da bexiga hiperativa reduziu significativamente as ondas de calor em homens submetidos à terapia hormonal para câncer de próstata, segundo estudo publicado no Journal of Clinical Oncology que contou com a participação de diversos pesquisadores da Mayo Clinic.

O estudo de fase 2 demonstrou que a oxibutinina, fármaco comumente prescrito para tratar a bexiga hiperativa, foi mais eficaz do que o placebo na redução da frequência e da intensidade das ondas de calor em homens em tratamento com terapia hormonal para câncer de próstata. Os participantes que receberam oxibutinina também relataram melhora nas atividades cotidianas e na qualidade de vida geral.

Estima-se que as ondas de calor afetem entre 60% e 80% dos homens submetidos à terapia de privação androgênica, podendo interferir no sono, no humor e no bem-estar geral. Em alguns casos, os sintomas são tão intensos que dificultam a continuidade do tratamento.

“As ondas de calor costumam ser subestimadas nos homens, mas podem ter um impacto real e duradouro na qualidade de vida durante o tratamento do câncer de próstata”, afirma Bradley Stish, M.D., radio-oncologista da Mayo Clinic e primeiro autor do estudo. “Este ensaio clínico mostra que a oxibutinina pode proporcionar alívio significativo, com um perfil de segurança favorável.”

O estudo incluiu 88 homens com câncer de próstata que apresentavam ondas de calor frequentes enquanto recebiam terapia de privação androgênica. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber oxibutinina em uma das duas doses ou um placebo por seis semanas.

Os homens que receberam a dose mais alta de oxibutinina apresentaram o maior benefício, com redução média de quase sete episódios de ondas de calor por dia, em comparação com cerca de dois episódios a menos por dia no grupo placebo. Mais de 75% dos participantes que receberam a dose mais alta alcançaram redução de pelo menos 50% na intensidade das ondas de calor.

Os pacientes que receberam oxibutinina também relataram menor impacto no sono, no trabalho, nas atividades sociais e na qualidade de vida geral. Não foram registrados eventos adversos graves relacionados ao tratamento durante o estudo. O efeito colateral mais comum foi boca seca, observada com maior frequência nas doses mais altas.

A oxibutinina já havia demonstrado reduzir ondas de calor em mulheres, mas as evidências em homens eram limitadas. Este ensaio está entre os primeiros estudos randomizados, controlados por placebo, a demonstrar sua eficácia em homens submetidos à terapia de privação androgênica.

“Esses resultados ampliam as opções disponíveis para médicos e pacientes que têm tentado gerenciar um efeito colateral desafiador do tratamento do câncer de próstata”, afirma o Dr. Stish. “Ter alternativas adicionais, bem toleradas, faz diferença.”

Os pesquisadores acrescentam que estudos maiores serão necessários para confirmar os achados e determinar a dose ideal, mas os resultados apoiam o uso da oxibutinina como opção terapêutica para homens com ondas de calor associadas à terapia hormonal que causam desconforto significativo.

O estudo foi conduzido pela Alliance for Clinical Trials in Oncology (Aliança para Ensaios Clínicos em Oncologia), integrante da National Clinical Trial Network (Rede Nacional de Ensaios Clínicos) do National Cancer Institute (Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos). Participaram centros oncológicos acadêmicos e comunitários de diversas regiões dos Estados Unidos. A Mayo Clinic possui um interesse financeiro na tecnologia citada neste comunicado de imprensa. A Mayo Clinic utilizará qualquer arrecadação que receber para apoiar sua missão sem fins lucrativos no atendimento ao paciente, educação e pesquisa.

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  • Julie Ferris-Tillman, Ph.D., Departamento de Comunicações da Mayo Clinic, newsbureau@mayo.edu

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