Câncer

Estudo liderado pela Mayo Clinic constata que prolongar a terapia de manutenção para mieloma múltiplo não melhora a sobrevida global

Uma mulher abrindo o frasco de seu medicamento prescrito.

ROCHESTER, Minnesota — Um importante ensaio clínico nacional conduzido por um grupo cooperativo e liderado por pesquisadores da Mayo Clinic constatou que a continuidade da terapia de manutenção com lenalidomida por mais de dois anos após o tratamento inicial de pacientes com mieloma múltiplo de risco padrão não melhorou a sobrevida global em comparação com a interrupção do tratamento após dois anos. Os resultados, publicados no The New England Journal of Medicine, podem ajudar médicos e pacientes a tomarem decisões mais bem fundamentadas sobre a duração da terapia de manutenção.

"Frequentemente se presume que um tratamento mais prolongado seja melhor, mas nem sempre é esse o caso", afirma Shaji Kumar, M.D., hematologista da Mayo Clinic e pesquisador principal do estudo. "À medida que as terapias se tornam mais eficazes, torna-se cada vez mais importante determinar não apenas quais tratamentos funcionam, mas também por quanto tempo os pacientes precisam deles." Os pesquisadores afirmam que os resultados podem reduzir a carga do tratamento e diminuir os custos associados a anos de terapia contínua para muitos pacientes.

"Saber que a terapia de manutenção pode ser encerrada com segurança após um período definido pode ajudar a reduzir as exigências do tratamento de longo prazo para os pacientes", afirma S. Vincent Rajkumar, M.D., hematologista da Mayo Clinic e chefe do Comitê de Mieloma do ECOG-ACRIN Cancer Research Group, que liderou o ensaio clínico. "Esses resultados reforçam a importância da tomada de decisão compartilhada e informada entre médicos e pacientes."

Os novos tratamentos para o mieloma múltiplo nas últimas duas décadas melhoraram a sobrevida, e alguns pacientes agora apresentam controle da doença em longo prazo. O estudo aplica-se especificamente a pacientes com mieloma múltiplo de risco padrão que não foram submetidos a transplante de células-tronco como tratamento inicial. Estudos adicionais estão em andamento para determinar a duração ideal da terapia de manutenção em pacientes com doença de alto risco e para investigar se a duração do tratamento pode ser individualizada com base na avaliação da doença residual mensurável.

"Este estudo nos lembra de que os ensaios clínicos não devem se concentrar apenas na incorporação de novas terapias", afirma o Dr. Kumar. "Eles também devem nos ajudar a compreender quando o tratamento pode ser interrompido com segurança."

O ensaio clínico foi planejado e conduzido pelo ECOG-ACRIN Cancer Research Group, com apoio do National Cancer Institute dos National Institutes of Health dos Estados Unidos, por meio de sua rede National Clinical Trials Network. A Amgen forneceu apoio adicional.

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