Vida saudável

Doomscrolling: especialista da Mayo Clinic compartilha dicas para parar de rolar a tela e proteger a saúde mental

ROCHESTER, Minnesota — “Eu deveria parar.” Você já disse essas palavras a si mesmo enquanto rolava a tela passando por uma publicação online desanimadora após a outra? Esse fenômeno é popularmente conhecido como doomscrolling (rolagem compulsiva de notícias negativas na internet). Você pode se perguntar: Por que é tão difícil parar o doomscrolling depois que começamos? Mais importante ainda, o que você pode fazer para romper esse ciclo negativo? Craig Sawchuk, Ph.D., psicólogo da Mayo Clinic em Rochester, oferece esclarecimentos.

“Quando você pensa na palavra doom (fatalidade), ela evoca uma resposta emocional intensa”, explica o Dr. Sawchuk. Isso está alinhado com a origem do termo em 2020.

Nos primeiros dias da pandemia de COVID-19, muitos de nós ficamos em casa, recorrendo intensivamente a nossos celulares, computadores e televisores para obter informações e entretenimento. Nesse período inicial, havia muita incerteza, o que levou muitos de nós a buscar informações de forma contínua. No entanto, nenhuma quantidade de informação foi capaz de reduzir essa incerteza, mantendo-nos presos em um ciclo interminável de buscar, encontrar informações negativas e buscar ainda mais.

Agora, anos depois, muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades com o doomscrolling. Todo comportamento e toda emoção exercem uma função, afirma o Dr. Sawchuk, e isso inclui o doomscrolling. Frequentemente, ele começa com o objetivo de compreender uma situação e se preparar para ela. No entanto, essa busca por respostas pode se tornar obsessiva e improdutiva.

É provável que o doomscrolling seja motivado por mais do que curiosidade. Segundo o Dr. Sawchuk, nosso cérebro é programado para nos orientar em direção à novidade e à ameaça. Ao longo da existência humana, esse mecanismo ajudou a manter as pessoas vivas. Um cérebro que identificava ameaças — especialmente ameaças novas — era um cérebro que permitia sair do perigo antes que fosse tarde demais.

Essa tendência protetiva, no entanto, pode ter efeito contrário quando se trata da internet. Você pode se sentir bem ao pegar o celular pela primeira vez. Após vários minutos rolando a tela, porém, pode se sentir mais ansioso, irritado, desanimado, enojado ou impotente. Uma vez que essa negatividade surge, ela passa a funcionar como uma lente, fazendo com que você preste ainda mais atenção a notícias e publicações que justificam e intensificam esses sentimentos, afirma o Dr. Sawchuk.

O doomscrolling também pode piorar o humor de outras maneiras:

Procrastinação do sono. Se você pratica doomscrolling à noite, pode ter dificuldade para parar e, consequentemente, permanecer acordado muito além do horário de dormir. Essa perda de sono pode afetar seu humor no dia seguinte.

“A privação de sono faz com que não sejamos muito agradáveis no convívio. Ficamos menos tolerantes e mais impacientes no dia seguinte”, afirma o Dr. Sawchuk.

Prejuízo à saúde social. O tempo que passamos com amigos e familiares tende a ser restaurador. Quando você pratica doomscrolling, pode passar tanto tempo no celular que sobra pouco tempo para dedicar aos outros.

Menos exercício físico. Exercício, luz solar e contato com a natureza podem ajudar a amortecer o estresse e favorecer o humor. No entanto, o doomscrolling tende a ser uma atividade sedentária, realizada em ambientes fechados, que nos desgasta.

Para contrabalançar a tendência do seu cérebro de buscar o negativo e o novo, considere as seguintes perguntas:

  • Você pode fazer algo em relação às notícias do dia? Essas informações realmente te ajudam a planejar o futuro? Ou apenas desencadeiam sentimentos negativos sobre algo que você não pode influenciar?
  • De quanta informação você realmente precisa para planejar e tomar decisões? Na maioria das situações, alguma informação provavelmente é útil, permitindo pesar prós e contras e planejar o futuro. No entanto, quando a maioria das pessoas pratica doomscrolling, acaba consumindo muito mais informação do que realmente precisa para planejar ou decidir, afirma o Dr. Sawchuk. Isso pode levar à indecisão, a uma sensação de impotência ou ao aumento da negatividade sem qualquer benefício.
  • Como o tempo online está te afetando? Você tende a se sentir melhor do que antes de começar? Ou pior?
  • O que você está deixando de fazer por causa do tempo gasto rolando a tela? Como o doomscrolling impacta seu sono, seus relacionamentos, seu trabalho, seu humor e sua saúde física?

Depois de compreender como o doomscrolling afeta sua saúde e sua vida, considere estabelecer alguns limites.

Observe seu humor. A cada 5 a 10 minutos, desvie a atenção do seu feed online e pense em como você está se sentindo.

“Se você estiver se sentindo pior, preste atenção nisso”, afirma o Dr. Sawchuk. Não significa que você precise parar imediatamente. Você pode rolar a tela por mais cinco ou 10 minutos e fazer outra checagem. Caso tenha começado a se sentir ainda pior, isso é um sinal importante.

Estabeleça um limite de tempo. Decida quanto tempo você ficará online. Por exemplo, você pode concordar consigo mesmo em limitar o tempo de rolagem a 15 ou 20 minutos, duas vezes por dia, e programar um cronômetro.

Substitua a rolagem por atividades saudáveis. Dedique mais tempo à socialização, à prática de exercícios ou ao sono.

Para mais dicas de vida saudável, visite Mayo Clinic e Mayo Clinic Press.

###

Sobre a Mayo Clinic
Mayo Clinic é uma organização sem fins lucrativos comprometida com a inovação na prática clínica, educação e pesquisa, fornecendo compaixão, experiência e respostas a todos que precisam de cura. Visite a Rede de Notícias da Mayo Clinic para maiores informações sobre a Mayo Clinic.

Contato de mídia:

[mayoNnVideoDownload]