Perguntas e Respostas da Mayo Clinic: Meu coração acelerado é uma arritmia?

PREZADA MAYO CLINIC: Percebi que às vezes meu coração dispara ou pula uma batida. Qual a causa disso? Existe tratamento para isso?
RESPOSTA: O que você está sentindo pode ser um ritmo cardíaco anormal, também conhecido como arritmia. As arritmias se dividem em duas categorias: rápidas demais ou lentas demais. Um coração acelerado ou uma batida pulada normalmente se enquadra na categoria de “rápidas demais”. Quando um batimento cardíaco anormal interrompe o ritmo normal, você pode sentir palpitações — sensações de que o coração está acelerado, tremulando, falhando uma batida — ou uma sensação de pânico. Frequentemente, esses sintomas são mais perceptíveis à noite ou ao se deitar.
Em pessoas mais jovens, geralmente entre os 20 e 50 anos, o coração pode acelerar subitamente de uma frequência normal para 180-200 batimentos por minuto. Esse ritmo acelerado pode causar sensação de tontura, vertigem, ansiedade ou, em alguns casos, desmaio.
Batimentos acelerados ou irregulares podem se originar nas câmaras superiores ou inferiores do coração. Aqueles que começam na câmara superior são chamados de contrações atriais prematuras (CAPs), enquanto os que se originam nas câmaras inferiores são contrações ventriculares prematuras (CVPs). Embora possam causar apreensão, CAPs e CVPs geralmente não são perigosas nem ameaçam a vida. Elas não causam infarto, acidente vascular cerebral nem aumentam o risco de morte.
Esses batimentos irregulares podem ser causados por:
- Um circuito elétrico anormal presente desde o nascimento.
- Distúrbios da tireoide.
- Alterações hormonais relacionadas à gravidez ou à menopausa.
- Consumo excessivo de cafeína ou álcool.
Se os sintomas forem pouco frequentes e não interferirem nas atividades diárias, muitas pessoas aprendem a conviver com eles. No entanto, se se tornarem incômodos, medicamentos podem ajudar a suprimir os batimentos extras.
Uma forma de desacelerar um episódio súbito de taquicardia é realizar uma manobra vagal, que pode ajudar a interromper o ritmo anormal. As manobras vagais incluem fazer força como se estivesse evacuando, soprar por um canudo com uma das extremidades fechada, desobstruir os ouvidos como em um avião, mergulhar o rosto em água gelada ou tomar um banho frio.
Avaliação
No entanto, essas são medidas temporárias. Se os sintomas persistirem, os pacientes podem ser encaminhados para avaliação adicional, como um estudo eletrofisiológico e possível ablação por cateter. Durante esse procedimento, cateteres são introduzidos por veias na região da virilha e guiados até o coração. Os médicos utilizam fios especializados para identificar a origem da arritmia. Em seguida, energia é aplicada por meio do cateter para eliminar o circuito anormal.
A ablação geralmente é realizada sob sedação leve e, em geral, é um procedimento ambulatorial no mesmo dia. Os pacientes precisam de um acompanhante por 24 horas, devem evitar dirigir por 24 horas e não devem levantar peso por uma semana para permitir a cicatrização das incisões na virilha. Após esse período, podem retomar suas atividades normais.
CAPs e CVPs são mais comuns em pessoas jovens. Em adultos mais velhos, o ritmo acelerado mais comum é a fibrilação atrial (FA) ou o flutter atrial. Esses são diferentes tipos de ritmos cardíacos que se tornam mais frequentes com o avanço da idade.
A FA pode causar batimento cardíaco irregular, palpitações, desconforto no peito, sensação de tontura, vertigem, fadiga e, às vezes, desmaio. Algumas pessoas não apresentam sintomas, e a condição é identificada durante atendimentos ou procedimentos de rotina.
As causas comuns de FA incluem apneia do sono não tratada, consumo excessivo de cafeína, episódios de ingestão excessiva de álcool, distúrbios da tireoide e alterações hormonais. Em um pequeno grupo de pacientes, alimentos apimentados podem desencadear FA.
Tratamento da FA
As opções de tratamento incluem:
- Medicamentos para controlar a frequência cardíaca elevada.
- Medicamentos para controlar o ritmo cardíaco.
- Ablação por cateter.
A ablação para FA é realizada sob anestesia geral. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo no qual os médicos acessam o coração pela região da virilha e atuam em áreas do lado esquerdo do coração responsáveis por desencadear ou manter o ritmo anormal. Tradicionalmente, dois tipos de energia — radiofrequência (calor) e crioablação (frio) — têm sido utilizados na ablação.
Mais recentemente, uma nova opção não térmica — a ablação por campo pulsado — foi introduzida. Essa fonte de energia atua de forma seletiva nas células do músculo cardíaco. Isso reduz o risco de danos graves ou potencialmente fatais às estruturas adjacentes, como o esôfago e o nervo frênico, que controla o diafragma e a respiração.
A recuperação após a ablação é semelhante independentemente da fonte de energia utilizada, incluindo cerca de uma semana de atividade limitada.
Durante a FA, o sangue pode se acumular no coração, formar coágulos e causar um acidente vascular cerebral. Dependendo dos fatores de risco individuais, os pacientes frequentemente recebem prescrição de anticoagulantes após o diagnóstico de fibrilação atrial ou flutter atrial, mesmo após a ablação. Se não puderem usar anticoagulantes, um dispositivo permanente pode ser implantado no coração para ocluir o apêndice atrial esquerdo, onde a maioria dos coágulos se forma, reduzindo o risco de AVC.
Se você está apresentando episódios de coração acelerado, percebendo batimentos falhados ou sintomas de ritmo cardíaco irregular, consulte seu profissional de saúde ou um cardiologista para determinar se é necessária avaliação ou tratamento adicionais.
Divya Korpu, M.B.B.S., Medicina Cardiovascular, Sistema de Saúde da Mayo Clinic, Eau Claire, Wisconsin
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