Estudo identifica pacientes com obesidade com maior probabilidade de se beneficiar de tratamento à base de GLP-1

Pesquisa identifica subtipo do fenótipo de obesidade do "intestino faminto"
ROCHESTER, Minnesota — Por que algumas pessoas perdem uma quantidade substancial de peso com medicamentos à base de GLP-1, enquanto outras apresentam resultados mais modestos? Um estudo da Mayo Clinic oferece uma possível resposta ao identificar um subtipo biológico distinto de obesidade que responde especialmente bem à tirzepatida, um medicamento que mimetiza dois hormônios produzidos naturalmente envolvidos na regulação do apetite e da glicemia, aproximando a área da medicina de precisão para a obesidade.
A pesquisa, publicada na Gastroenterology, identificou um subgrupo de pacientes com obesidade que produz níveis mais baixos de hormônios naturais reguladores do apetite, apresenta esvaziamento gástrico mais rápido e relata maior fome após as refeições. Esse é um subtipo do fenótipo de obesidade do "intestino faminto", caracterizado por uma duração anormal da sensação de saciedade. Pessoas com obesidade do "intestino faminto" podem ingerir porções normais nas refeições, mas fazer lanches com maior frequência.
Esses pacientes perderam quase o dobro de peso após seis meses de tratamento com tirzepatida em comparação com pacientes de outros subtipos de obesidade.
"A obesidade é uma doença complexa impulsionada por diferentes mecanismos biológicos", afirma o autor sênior Andres Acosta, M.D., Ph.D., gastroenterologista e pesquisador em obesidade da Mayo Clinic em Minnesota. "Nossos achados sugerem que podemos começar a identificar quais pacientes têm maior probabilidade de responder a terapias específicas, em vez de tratar a obesidade como uma única doença."
Os pesquisadores estudaram 483 adultos com obesidade e identificaram três diferentes tipos biológicos da doença. Cerca de 1 em cada 4 participantes produzia níveis mais baixos de GLP-1 e de outros hormônios que ajudam as pessoas a se sentirem saciadas após a alimentação. Os pacientes desse grupo perderam, em média, 21,5% do peso corporal após seis meses de tratamento com tirzepatida, em comparação com 11,7% entre os pacientes dos outros grupos.
Os achados reforçam os crescentes esforços para personalizar o tratamento da obesidade com base na biologia subjacente de cada indivíduo, em vez de recorrer a uma abordagem única para todos. Como a obesidade aumenta o risco de diabetes, doenças cardíacas, determinados tipos de câncer e muitas outras doenças crônicas graves, identificar mais precocemente a terapia mais adequada pode melhorar os desfechos de saúde em longo prazo.
Os pesquisadores também constataram que os níveis reduzidos desses hormônios estavam associados à diminuição da produção hormonal no intestino, e não a diferenças no microbioma intestinal, oferecendo novos insights sobre a biologia subjacente a esse subtipo de obesidade.
Os autores alertam que estudos prospectivos são necessários antes que essa abordagem possa ser incorporada à prática clínica de rotina, mas esses achados representam um passo importante em direção a um tratamento mais preciso e individualizado para a obesidade.
Para informações sobre divulgações financeiras e outros detalhes, consulte o artigo.
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