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5 subtipos de doença hepática comum são descobertos — incluindo formas genéticas de progressão rápida

Fígado cirrótico.
Fígado cirrótico.

ROCHESTER, Minnesota — Uma doença hepática que afeta quase 30% dos adultos ao redor do mundo não corresponde a uma única condição, mas a cinco subtipos biologicamente distintos, de acordo com a descoberta dos pesquisadores da Mayo Clinic. Cada um apresenta riscos diferentes de doença cardíaca, insuficiência hepática, câncer e necessidade de transplante de fígado.

O estudo, publicado na Nature Communications e realizado em colaboração com cientistas da Virginia Tech, mostra que a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica apresenta múltiplas vias — algumas ligadas à obesidade e ao diabetes, outras impulsionadas por fatores genéticos hereditários.

Vale destacar que os subtipos genéticos estão associados a um risco mais alto de progressão para doença hepática avançada, inclusive em pacientes sem fatores de risco metabólicos típicos.

As descobertas podem ajudar a identificar pacientes de alto risco mais cedo e orientar uma triagem mais precisa e um tratamento personalizado.

"Quando dados clínicos e genômicos são analisados juntos nessa escala, você começa a observar padrões de progressão da doença que, de outra forma, permaneceriam ocultos," diz a Shulan Tian, Ph.D., coautora sênior e bioinformata na Mayo Clinic. "Depois de separar esses subtipos, você pode começar a combinar os tratamentos com a biologia que realmente está impulsionando a doença."

A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, anteriormente conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica, ocorre quando a gordura se acumula no fígado. Muitas vezes ela se desenvolve sem sintomas, mas pode evoluir para inflamação, formação de cicatrizes e danos irreversíveis. É uma das principais causas de cirrose, câncer de fígado e transplante em todo o mundo.

Decifrando a doença hepática em larga escala

Para revelar esses subtipos, os pesquisadores integraram o sequenciamento genético a dados clínicos detalhados de mais de 4.600 pacientes com a doença. O conjunto de dados abrangeu uma ampla gama de medidas — desde enzimas hepáticas, índice de massa corporal e níveis lipídicos até condições coexistentes, como diabetes, depressão e apneia do sono.

Utilizando modelagem computacional avançada, a equipe identificou grupos de pacientes que compartilhavam sinais biológicos subjacentes, definindo subtipos distintos da doença.

"O que está surgindo aqui é uma forma de identificar sistematicamente subgrupos significativos dentro de uma doença complexa," diz o Ph.D. Eric Klee, co-autor sênior e diretor associado de pesquisa e inovação do Meio-Oeste, titular da cátedra Everett J. and Jane M. Hauck. "Isso nos ajuda a mapear doenças complexas com tal precisão que podemos começar a antecipar sua evolução e intervir antes que os danos mais graves ocorram."

A descoberta foi possibilitada pelo Atlas de Dados de Pesquisa da Mayo Clinic, uma plataforma que conecta dados genéticos a prontuários de pacientes para revelar padrões em grandes populações — um sistema que o Dr. Klee ajudou a criar. Um componente chave do Atlas é o Estudo Tapestry, que gerou a maior coleção de dados de exoma da Mayo Clinic, com mais de 100 mil participantes. O conjunto de dados capta informações genéticas fundamentais que moldam como as doenças se desenvolvem e progridem.

"Este é exatamente o tipo de conhecimento que a pesquisa genômica em larga escala foi criada para oferecer," diz Konstantinos Lazaridis, M.D., diretor executivo titular da cátedra Carlson and Nelson do Centro de Medicina Personalizada, que liderou o Estudo Tapestry e é coautor da pesquisa. "Quando você conecta dados genéticos a informações clínicas detalhadas em grandes populações, você pode começar a redefinir doenças de maneiras que impactam diretamente o cuidado ao paciente."

Os efeitos ocultos da doença hepática em todo o corpo

O estudo também revelou conexões além do fígado. Pela primeira vez, os pesquisadores constataram que subtipos específicos estão associados a condições como depressão, apneia do sono e enxaqueca, o que ressalta o amplo impacto sistêmico da doença em múltiplos sistemas de órgãos.

Em seguida, a equipe planeja testar essa abordagem em populações de pacientes mais amplas e explorar como esses subtipos respondem a diferentes tratamentos, incluindo terapias como os agonistas do receptor de GLP-1.

A primeira autora, Tahmina Sultana Priya, atualmente estudante de doutorado na Virginia Tech, contribuiu para a pesquisa enquanto estava na Mayo Clinic. Reveja o estudo para uma lista completa de autores, divulgações e financiamento.

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