Pesquisadores mapeiam uma trajetória genética para diagnosticar fibrose pulmonar e prever desfechos

PHOENIX — Pesquisadores validaram uma ferramenta de pontuação genética que pode ajudar médicos a diagnosticarem fibrose pulmonar idiopática e identificarem quais pacientes apresentam maior risco de desfechos graves, incluindo morte ou necessidade de transplante de pulmão. Os resultados são de um novo estudo internacional com mais de 570.000 pessoas, codirigido pela Mayo Clinic e pelo Brigham and Women's Hospital.
Publicado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, o estudo é uma das maiores avaliações em condições reais de prática clínica de um escore de risco poligênico para fibrose pulmonar idiopática. Os resultados aproximam essa abordagem genômica da prática clínica.
Os pesquisadores analisaram dados genômicos e de prontuários eletrônicos de quatro grandes biobancos dos Estados Unidos e do Reino Unido, incluindo o Biobanco da Mayo Clinic e o Mayo Clinic Tapestry. Eles calcularam um escore de risco poligênico para cada participante combinando os efeitos de mais de 60.000 variantes de DNA associadas à fibrose pulmonar idiopática. Embora cada variante genética contribua apenas com uma pequena parcela do risco, em conjunto elas revelam padrões de suscetibilidade hereditária que, de outra forma, seriam difíceis de detectar.
Em seguida, os pesquisadores testaram se o escore poderia identificar pacientes com a doença e prever desfechos clínicos.
Pessoas com escores de risco poligênico elevados apresentaram probabilidade quase três vezes maior de ter a doença do que aquelas com escores mais baixos. O escore genético tornou-se ainda mais preditivo à medida que os pesquisadores aplicavam definições cada vez mais específicas da doença, sugerindo que o escore poderá, no futuro, ajudar a distinguir a fibrose pulmonar idiopática de outras formas de doença pulmonar intersticial.
Entre os pacientes com a doença, aqueles com alto risco genético apresentaram probabilidade 23% maior de morrer ou de precisar de um transplante de pulmão, indicando que o escore também pode ajudar a identificar os pacientes com maior risco de desfechos desfavoráveis.
"Cada paciente possui uma assinatura genética única que podemos utilizar para estimar o risco de desenvolvimento de doenças", afirma Victor Ortega, M.D., Ph.D., pneumologista, diretor associado do Centro de Medicina Personalizada da Mayo Clinic no Arizona e coautor sênior do estudo. "Os escores de risco poligênico acrescentam uma nova camada de compreensão biológica à previsão da fibrose pulmonar e dos desfechos de mortalidade, aproximando-nos de um futuro em que o diagnóstico, o prognóstico e o tratamento serão orientados pelas assinaturas moleculares exclusivas de cada paciente."
A fibrose pulmonar idiopática causa cicatrização irreversível dos pulmões, limitando progressivamente a capacidade de respirar. Mais de 100.000 americanos vivem com a doença, e estima-se que entre 30.000 e 40.000 novos casos sejam diagnosticados a cada ano, de acordo com os National Institutes of Health.
Como seus sintomas frequentemente se assemelham aos de outras doenças pulmonares intersticiais, o diagnóstico pode ser retardado até que já tenha ocorrido dano pulmonar significativo e irreversível. Em alguns casos, a confirmação do diagnóstico exige uma biópsia pulmonar invasiva para obtenção de tecido pulmonar. Os pesquisadores esperam que um teste genético não invasivo, utilizando DNA obtido de uma amostra de sangue ou saliva, possa ajudar a reduzir a necessidade desses procedimentos em pacientes selecionados.
"A maioria dos escores de risco poligênico é desenvolvida em populações de pesquisa cuidadosamente selecionadas", afirma Christopher Grilli, Pharm.D., pesquisador do Centro de Medicina Personalizada da Mayo Clinic e coprimeiro autor do estudo. "Demonstrar que essa abordagem também funciona em mais de meio milhão de pessoas que recebem atendimento clínico de rotina representa um passo importante para compreender como ela poderá, em última análise, beneficiar os pacientes."
Se forem validados em estudos adicionais, os pesquisadores preveem que os escores de risco genômico complementarão os exames de imagem e outras ferramentas diagnósticas, ajudando os médicos a diagnosticarem a doença com maior confiança.
Este estudo está alinhado à iniciativa de pesquisa Precure da Mayo Clinic, que busca identificar as alterações biológicas mais precoces associadas às doenças e traduzir essas descobertas em ferramentas clínicas que aprimorem o diagnóstico, personalizem o atendimento e, em última análise, modifiquem o curso das doenças. Como parte desse esforço, o estudo Precure-Lung, liderado pelo Dr. Ortega, está ampliando a pesquisa da Mayo Clinic sobre doenças pulmonares intersticiais, incluindo a fibrose pulmonar idiopática.
Para acessar a lista completa de autores, divulgações e fontes de financiamento, consulte o estudo.
###
Sobre a Mayo Clinic
A Mayo Clinic é uma organização sem fins lucrativos comprometida com a inovação na prática clínica, educação e pesquisa, fornecendo compaixão, conhecimento e respostas para todos que precisam de cura. Visite a Rede de Notícias da Mayo Clinic para obter outras notícias da Mayo Clinic.
Contato de mídia:
- Kelley Luckstein, Comunicações da Mayo Clinic, newsbureau@mayo.edu
[mayoNnVideoDownload]