Nanoterapia experimental com dois fármacos da Mayo Clinic atravessa a barreira hematoencefálica e melhora a sobrevida em modelos pré-clínicos de glioblastoma

JACKSONVILLE, Flórida — Pesquisadores da Mayo Clinic desenvolveram uma nanoterapia experimental que administra dois medicamentos oncológicos diretamente aos tumores cerebrais, de acordo com um estudo publicado na Nature Communications Medicine. A estratégia prolongou a sobrevida em modelos pré-clínicos de glioblastoma, a forma mais agressiva de câncer cerebral.
A abordagem baseada em nanotecnologia encapsula dois fármacos oncológicos já existentes em partículas minúsculas projetadas para atravessar a barreira hematoencefálica protetora do cérebro e atingir as células tumorais. Em modelos pré-clínicos utilizando tecido derivado de pacientes, a combinação do tratamento com radioterapia mais que dobrou a sobrevida em comparação com os controles não tratados.
O glioblastoma é notoriamente difícil de tratar. Os pacientes geralmente sobrevivem cerca de 15 meses após o diagnóstico, mesmo com as terapias mais modernas, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Um dos principais desafios é que muitos medicamentos não conseguem alcançar de forma eficaz os tumores no cérebro, e aqueles que conseguem frequentemente perdem eficácia à medida que os tumores desenvolvem resistência.
A nova abordagem utiliza pequenas partículas à base de lipídios, conhecidas como lipossomas, para transportar e administrar uma combinação de fármacos — everolimo ou rapamicina e vinorelbina — diretamente às células cancerígenas, utilizando uma nova estratégia de direcionamento tumoral. Ao garantir que ambos os fármacos atinjam as mesmas células ao mesmo tempo, os pesquisadores buscam potencializar o efeito antitumoral, reduzindo ao mesmo tempo os efeitos colaterais tóxicos associados a doses mais elevadas.
"O glioblastoma permanece extremamente difícil de tratar devido à resistência aos medicamentos e à limitada capacidade de entrega de fármacos ao cérebro", afirma Debabrata (Dev) Mukhopadhyay, Ph.D., professor de bioquímica e biologia molecular da Mayo Clinic na Flórida. Dr. Mukhopadhyay, nanotecnologista, é autor sênior do estudo. "Nossa abordagem foi concebida para melhorar ambos os aspectos, direcionando o tratamento diretamente ao tumor e combinando terapias de forma a potencializar seu impacto."
A combinação de fármacos inclui agentes que interferem nas vias de crescimento tumoral e comprometem a capacidade do câncer de reparar danos ao DNA, tornando os tumores mais sensíveis à radioterapia.
"Isso representa uma direção promissora para o tratamento de pacientes com glioblastoma e para o avanço de novas tecnologias e terapias, para que possamos, um dia, melhorar a sobrevida de pacientes com câncer cerebral por meio da administração de terapias oncológicas inovadoras ao cérebro", afirma Alfredo Quiñones-Hinojosa, M.D., reitor emérito de pesquisa e chefe emérito do Departamento de Neurocirurgia da Mayo Clinic na Flórida, além de autor sênior do estudo. "Serão necessárias pesquisas adicionais para determinar se esses resultados se traduzem em benefício para os pacientes."
Os pesquisadores estão conduzindo estudos adicionais de segurança e definição de dose exigidos antes que os ensaios clínicos possam ser iniciados. Se bem-sucedida, a abordagem poderá, futuramente, resultar em um medicamento oral ou intravenoso utilizado em conjunto com os tratamentos padrão ou como opção para pacientes cujos tumores não respondem às terapias existentes.
"Embora este trabalho ainda esteja em desenvolvimento, ele representa um passo importante em direção ao desenvolvimento de tratamentos oncológicos mais precisos, que sejam ao mesmo tempo mais eficazes e menos tóxicos, potencialmente melhorando a qualidade de vida dos pacientes", afirma o Dr. Mukhopadhyay.
Este estudo foi parcialmente financiado pelo National Institute of Neurological Disorders and Stroke, dos National Institutes of Health, sob o número de concessão R01NS129671. Consulte o estudo para obter a lista completa de autores, declarações e fontes de financiamento.
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