Terapia com feixe de prótons pode ajudar no tratamento de um distúrbio perigoso do ritmo cardíaco

ROCHESTER, Minnesota — Uma forma altamente direcionada e não invasiva de radioterapia reduziu episódios de um distúrbio potencialmente fatal do ritmo cardíaco em quase 80% em um estudo inicial de viabilidade em humanos envolvendo pacientes com poucas opções de tratamento restantes, relatam pesquisadores da Mayo Clinic.
Os achados, apresentados como pesquisa de última hora na conferência da Heart Rhythm Society e publicados no Heart Rhythm Journal, sugerem que a terapia com feixe de prótons pode oferecer uma nova abordagem para pacientes com taquicardia ventricular (TV), um distúrbio perigoso de ritmo cardíaco acelerado que pode levar à morte cardíaca súbita.
Os pesquisadores trataram sete pacientes com cardiopatia avançada e TV de difícil tratamento que não haviam respondido previamente a ablações por cateter e medicamentos antiarrítmicos. Os pacientes apresentaram uma redução de 79% nos episódios de TV, com diminuição de uma média de 7,2 episódios por mês antes do tratamento para 1,5 após o tratamento. A terapia foi administrada em uma única sessão não invasiva, com feixes de prótons direcionados à área do coração responsável pela TV.
Não foram observados efeitos adversos graves relacionados ao tratamento durante o acompanhamento de até dois anos, e os principais parâmetros de função cardíaca permaneceram amplamente estáveis.
"Esses pacientes com arritmias complexas frequentemente esgotam as opções de tratamento", afirma Konstantinos Siontis, M.D., cardiologista da Mayo Clinic e especialista em arritmias cardíacas, que foi pesquisador principal do estudo. "Estamos observando que uma abordagem completamente não invasiva pode reduzir significativamente os episódios de taquicardia ventricular."
A radioablação cardíaca é um tratamento emergente que utiliza radiação para atingir áreas do coração responsáveis por sinais elétricos anormais que causam a TV. Este estudo se baseia em extensa pesquisa pré-clínica prévia da Mayo Clinic, que avaliou o uso da terapia com feixe de prótons para essa finalidade. Em comparação com abordagens convencionais de radioterapia, a terapia com prótons permite maior precisão de direcionamento, ajudando a limitar a exposição à radiação do tecido cardíaco saudável adjacente e de órgãos vizinhos.
"Esses achados são encorajadores porque demonstram que podemos direcionar com precisão o tecido cardíaco responsável pela TV, minimizando a exposição à radiação do restante do coração", afirma Kenneth Merrell, M.D., radio-oncologista da Mayo Clinic e coautor do estudo. "Esta é uma experiência inicial em humanos utilizando terapia com prótons para radioablação cardíaca."
Os pacientes do estudo apresentavam insuficiência cardíaca avançada e permaneciam em risco de complicações relacionadas à doença de base. Alguns participantes morreram ou necessitaram de transplante cardíaco durante o seguimento devido à gravidade da cardiopatia.
"Nossos resultados apoiam a continuidade da investigação da terapia com feixe de prótons em ensaios clínicos maiores", afirma o Dr. Siontis. "O objetivo é compreender melhor quais pacientes podem se beneficiar mais e confirmar a segurança e eficácia a longo prazo."
A lista completa de autores está disponível no estudo.
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